domingo, 8 de junho de 2003

Por que os Homens Fazem Guerras?

Por Maria da Glória ColucciNegrito
Eis uma pergunta que tem inquietado a muitos nestes últimos meses, diante da invasão do Iraque pela coalizão Estados Unidos e Inglaterra. É, ainda, uma dúvida persistente que acompanha a história da própria humanidade, marcada por guerras, revoluções e lutas sangrentas.As nações têm se empenhado em construir um pacto internacional que possibilite promover a paz e a cooperação entre os povos, mas todas as tentativas parecem infrutíferas...As justificativas oferecidas para o desencadeamento das guerras são as mais diversas, desde garantir a segurança do invasor até à chamada “intervenção humanitária”, que os Estados Unidos realizaram na Somália e, agora, alegam ser necessária no Iraque...As armas de destruição em massa, disparadas à distância por teleguiados (mísseis, aviões, etc) tornaram as guerras ” um grande negócio “, diminuindo o risco de vida para os militares, mas causando grande sofrimento e mortes à população civil.Durante muitos tempos somente americanos, britânicos, chineses, franceses e russos detiveram o monopólio das armas nucleares, mas, com a inclusão forçada da Índia, Paquistão e Coréia do Norte no “clube dos atomizados” os riscos e as rivalidades se reacenderam... A guerra por razões étnicas, como a que envolveu Kôsovo, Bósnia e Sérvia não ficou em nada a dever a Hitler, quando perseguiu e matou milhares de judeus nos idos de 1940-45...Esquecem-se os contendores que mesmo nas guerras existem normas, princípios jurídicos e morais que devem ser observados. Há, portanto, uma ética da paz e uma ética da guerra? Já em 1625, GROTIUS, em sua obra DE JURE BELLI AC PACIS, procurou demonstrar que, acima dos países beligerantes, haveria um direito natural dos vencidos de serem respeitados e tratados com dignidade pelos vencedores.Mas voltando à pergunta inicial: Por que os homens fazem as guerras?Flávio Rocha de OLIVEIRA, cientista político, vê a guerra como uma solução ou prática política, quando as demais soluções políticas amigáveis fracassaram...Trata-se de um jogo político de forças, em que o mais forte tenta impor-se ao mais fraco. [OLIVEIRA, Flávio Rocha. O Jogo da Guerra. In: Revista Jurídica Del Rey, BH – Ed. Del Rey, nº 10,p.11,2003]Por outro lado, há muitos interesses envolvidos, além dos políticos, principalmente econômicos, tanto dos que participam diretamente dos conflitos, quantos dos que enriquecem pela fabricação dos armamentos e demais equipamentos usados durante o confronto. Há uma “indústria da guerra”.As armas utilizadas nas guerras são, a cada dia, mais sofisticadas, a ponto de se prever a possibilidade de batalhas virtuais. Armas biológicas e químicas sinalizam para guerras bacteriológicas que ultrapassarão fronteiras.Pode-se vislumbrar a dimensão lúdica das guerras, no preparo do cenário, cuidadosamente montado; nas frases de efeito e ameaças de parte a parte; no acompanhamento mundial das marchas e contramarchas dos envolvidos. A guerra é um jogo!Assim, a guerra vista como um jogo traz prazer aos contendores, à semelhança do que se passa em uma partida de futebol. Cada um dos jogadores pretende, ao final, levar o troféu para o seu “clube”. O público apenas assiste à disputa, gritando, carregando faixas, cartazes, criticando e, obviamente, esperando o término do confronto...É o que se tem visto nestes últimos tempos. A peleja aparentemente terminou, mas, sabe-se que estamos apenas no “intervalo”, já que outras ameaças e provocações continuam sendo feitas, agora, a outros “jogadores”.Pode-se, infelizmente, concluir que os homens fazem as guerras porque isso lhes dá prazer e muito dinheiro.



Disponível em: http://www.mundolegal.com.br/?FuseAction=Doutrina_Detalhar&did=20134
Publicado em: 08/06/2003

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