segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A ÚLTIMA CEREJA DO BOLO



Maria da Glória Colucci[1]

É impressionante a sequência de declarações aparentemente episódicas feitas pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em eventos públicos. Destaque-se que são ao mesmo tempo que “frequentes”, “direcionadas”, no sentido de traduzirem o “ego inflado” do ex-presidente, que não consegue se manter longe dos refletores, deitando falação incoerente, cujos benefícios são sempre focados em sua pessoa, seus feitos “incomuns” (“nunca dantes neste país”), ou à sua “honestidade” quando esteve no mais alto posto político do Brasil.
Ao se comparar com outros segmentos políticos e jurídicos ou com os cidadãos brasileiros e sua conhecida religiosidade, o ex-presidente ultrapassou todos os limites do bom senso, equilíbrio e respeito, esperados de alto dignitário do Brasil, que recebeu tantos títulos, prêmios e elogios pelo mundo afora: autointitulou-se “o mais honesto” de todos os brasileiros!
Suas declarações se deram em evento público, quando afirmou em 20 de janeiro de 2016 que: “Se tem uma coisa de que eu me orgulho, neste país, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da Igreja Católica, nem dentro da Igreja Católica. Pode ter igual, mas eu duvido”.[2]
Observa-se que apenas excluiu o Poder Judiciário da sua lista comparativa, até porque deve temer e respeitar a mais alta Corte do País, o Supremo Tribunal Federal, visto que poderá (quem sabe?) ter de se submeter ao crivo de seus ministros...
No entanto, esqueceu-se, ao se vangloriar de sua autossuposta honestidade, os milhares de cidadãos humildes, pobres e desempregados que confiaram em seus discursos populistas, mas que foram enganados e se encontram desesperados diante do quadro de miséria coletiva a que foram reduzidos pelas falácias petistas...
As “elites”, os “golpistas”, os “adversários” e todos os que querem a verdade apenas a verdade, são acusados de serem a causa do desgaste de sua administração e da que lhe seguiu (Dilma Roussef), cujos desastrosos resultados se encontram aos olhos de todos, como exemplo: o declínio do valor das ações da Petrobras, tanto as preferenciais, quanto as ordinárias; o aumento do pedágio e das tarifas do transporte público; 1,5 milhões de desempregados; caos na saúde e na educação; roubalheira aos cofres públicos (“Lava Jato”); estradas e obras públicas paralisadas; desordem nos gastos públicos (“pedaladas fiscais”); fábricas fechando, comércio falindo etc.
Estes exemplos se encontram em todos os noticiários, entrevistas, nos movimentos sociais de rua (“Passe Livre”) e, acima de tudo, são sentidos no dia a dia com a alta da inflação e com a diminuição do poder de compra, sobretudo dos pobres, de que Lula se intitula “defensor”.
No entanto, considerando-se a reconhecida “esperteza” dos autoelogios do ex-presidente, talvez esteja preparando a opinião de seus fiéis seguidores para os passos seguintes, quais sejam, a “vitimização” e “perseguição”, que procura alegar sempre que é inquirido sobre seus atos passados. Deste modo, suas declarações sempre estão direcionadas para fatos que já chegaram ao seu conhecimento privilegiado, mas que são ignorados pela grande maioria, defendendo-se antecipadamente de mais uma trapalhada ainda oculta durante seu governo.
Todo cuidado é pouco com partidos e políticos que se posicionam como a última cereja do bolo.



[1] Advogada. Mestre em Direito Público pela UFPR. Especialista em Filosofia do Direito pela PUCPR. Professora titular de Teoria do Direito do UNICURITIBA. Professora Emérita do Centro Universitário Curitiba, conforme título conferido pela Instituição em 21/04/2010. Orientadora do Grupo de Pesquisas em Biodireito e Bioética – Jus Vitae, do UNICURITIBA, desde 2001. Professora adjunta IV, aposentada, da UFPR. Membro da Sociedade Brasileira de Bioética – Brasília. Membro do Colegiado do Movimento Nós Podemos Paraná (ONU, ODM). Membro do IAP – Instituto dos Advogados do Paraná.
[2] CONSTANTINO, Rodrigo. Delírio Paranoide. Curitiba: Jornal Gazeta do Povo, 21/01/16, p.3.

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