Maria da Glória
Colucci[1]
É impressionante a sequência de declarações aparentemente
episódicas feitas pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em eventos
públicos. Destaque-se que são ao mesmo tempo que “frequentes”, “direcionadas”,
no sentido de traduzirem o “ego inflado” do ex-presidente, que não consegue se
manter longe dos refletores, deitando falação incoerente, cujos benefícios são
sempre focados em sua pessoa, seus feitos “incomuns” (“nunca dantes neste país”),
ou à sua “honestidade” quando esteve no mais alto posto político do Brasil.
Ao se comparar com outros segmentos políticos e jurídicos
ou com os cidadãos brasileiros e sua conhecida religiosidade, o ex-presidente
ultrapassou todos os limites do bom senso, equilíbrio e respeito, esperados de
alto dignitário do Brasil, que recebeu tantos títulos, prêmios e elogios pelo
mundo afora: autointitulou-se “o mais honesto” de todos os brasileiros!
Suas declarações se deram em evento público, quando
afirmou em 20 de janeiro de 2016 que: “Se tem uma coisa de que eu me orgulho,
neste país, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da
Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da Igreja
Católica, nem dentro da Igreja Católica. Pode ter igual, mas eu duvido”.[2]
Observa-se que apenas excluiu o Poder Judiciário da sua
lista comparativa, até porque deve temer e respeitar a mais alta Corte do País,
o Supremo Tribunal Federal, visto que poderá (quem sabe?) ter de se submeter ao
crivo de seus ministros...
No entanto, esqueceu-se, ao se vangloriar de sua autossuposta
honestidade, os milhares de cidadãos humildes, pobres e desempregados que
confiaram em seus discursos populistas, mas que foram enganados e se encontram
desesperados diante do quadro de miséria coletiva a que foram reduzidos pelas
falácias petistas...
As “elites”, os “golpistas”, os “adversários” e todos os
que querem a verdade apenas a verdade, são acusados de serem a causa do
desgaste de sua administração e da que lhe seguiu (Dilma Roussef), cujos
desastrosos resultados se encontram aos olhos de todos, como exemplo: o declínio
do valor das ações da Petrobras, tanto as preferenciais, quanto as ordinárias;
o aumento do pedágio e das tarifas do transporte público; 1,5 milhões de
desempregados; caos na saúde e na educação; roubalheira aos cofres públicos
(“Lava Jato”); estradas e obras públicas paralisadas; desordem nos gastos
públicos (“pedaladas fiscais”); fábricas fechando, comércio falindo etc.
Estes exemplos se encontram em todos os noticiários,
entrevistas, nos movimentos sociais de rua (“Passe Livre”) e, acima de tudo,
são sentidos no dia a dia com a alta da inflação e com a diminuição do poder de
compra, sobretudo dos pobres, de que Lula se intitula “defensor”.
No entanto, considerando-se a reconhecida “esperteza” dos
autoelogios do ex-presidente, talvez esteja preparando a opinião de seus fiéis
seguidores para os passos seguintes, quais sejam, a “vitimização” e
“perseguição”, que procura alegar sempre que é inquirido sobre seus atos
passados. Deste modo, suas declarações sempre estão direcionadas para fatos que
já chegaram ao seu conhecimento privilegiado, mas que são ignorados pela grande
maioria, defendendo-se antecipadamente de mais uma trapalhada ainda oculta
durante seu governo.
Todo cuidado é pouco com partidos e políticos que se
posicionam como a última cereja do bolo.
[1] Advogada. Mestre em Direito Público pela UFPR.
Especialista em Filosofia do Direito pela PUCPR. Professora titular de Teoria
do Direito do UNICURITIBA. Professora Emérita do Centro Universitário Curitiba,
conforme título conferido pela Instituição em 21/04/2010. Orientadora do Grupo
de Pesquisas em Biodireito e Bioética – Jus Vitae, do UNICURITIBA, desde 2001.
Professora adjunta IV, aposentada, da UFPR. Membro da Sociedade Brasileira de
Bioética – Brasília. Membro do Colegiado do Movimento Nós Podemos Paraná (ONU,
ODM). Membro do IAP – Instituto dos Advogados do Paraná.
[2] CONSTANTINO, Rodrigo. Delírio Paranoide.
Curitiba: Jornal Gazeta do Povo, 21/01/16, p.3.
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