domingo, 25 de maio de 2003

Contraterrorismo

Por Maria da Glória Colucci


O contraterrorismo é uma ação conjugada de combate e prevenção de atos terroristas, no plano interno e internacional.O combate se dá pela prisão e condenação de líderes e seguidores, bem como de patrocinadores (ou financiadores) dos atos terroristas, pelo desmantelamento das redes, extradição, etc.A prevenção se verifica pela presença em aeroportos, fronteiras e portos de sistemas de comunicação que permitam identificar, com rapidez, os prováveis terroristas, pela instalação de máquinas de raio X para examinar bagagens e passageiros.Igualmente, a prevenção se realiza pelo preparo antecipado de equipes de resgate para descontaminação dos locais, de para-médicos e hospitais para atender às vítimas, organização de sistemas eficientes de defesa civil, estoque eficiente de antídotos, ensaios periódicos com as equipes envolvidas etc...Desempenha papel importante na prevenção a mobilização da opinião pública, mediante a divulgação dos atos terroristas e pela educação de crianças e jovens voltada para a tolerância e fraternidade entre os povos.KARL-JOSEF KUSHEL, professor de Teologia da Cultura e do Diálogo Inter-Religioso na Universidade de Tübingen, na Alemanha, propõe “uma via de fraternidade entre as três grandes religiões monoteístas, marcadas em nosso tempo muito mais pela discórdia do que pelo parentesco de uma origem comum que as deveria aproximar” (1).A FUNDAÇÃO DE ÉTICA MUNDIAL, ouvida e reconhecia pela ONU, na pessoa de seu secretário-geral KOFI ANNAN, “defende a possibilidade e a permanência, em um mundo globalizado, do reconhecimento e cultivo dos parâmetros éticos mundiais já presentes nas grandes religiões mundiais e potencialmente partilhados, portanto, por bilhões de indivíduos em todo o planeta” (2).Uma das críticas que se apresentam à formulação de uma ética mundial, devido à diversidade de crenças e religiões, é a impossibilidade de unificação de princípios e práticas tão díspares. Todavia, em 1993, em Chicago, foi elaborada uma DECLARAÇÃO DE ÉTICA MUNDIAL, no âmbito do Parlamento das Religiões Mundiais, a partir de uma regra de ouro: “Tudo aquilo que quereis que as pessoas façam a vós, fazei-o vós mesmos a elas”, que se encontra presente nas tradições religiosas de todas as grandes crenças.O citado PROJETO DE ÉTICA MUNDIAL recorre justamente às religiões porque têm sido elas que mais se prestam a discórdias, devido à atuação de grupos fundamentalistas, radicais, que não aceitam as diferenças uns dos outros. Uma ética pluralista, em que à regra de ouro já citada se somariam quatro exigências fundamentais da humanidade: “não matarás, não mentirás, não roubarás, não agirás com depravação” (3), seria a solução para não só combater, como prevenir a prática de atos terroristas.Assim, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo longe de gerarem inimigos fidagais entre os fiéis seriam parceiros na construção da fraternidade universal.


NOTAS(1) SOETHE, Paulo. Liturgias do 11 de setembro. Gazeta do Povo, Curitiba, 1ºjulho de 2002, cad. G, p.3.
(2) Idem
(3) Ibidem

Disponível em: http://www.mundolegal.com.br/?FuseAction=Doutrina_Detalhar&did=20133
Publicado em: 25/05/2003

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