segunda-feira, 26 de agosto de 2013

REVIVENDO 1968... EM 2013





Revivi no dia 22 de junho de 2013, na Boca Maldita, em Curitiba, as mesmas emoções de 45 anos atrás, quando, no Rio de Janeiro, na Cinelândia, protestos mobilizaram grande multidão de cidadãos insatisfeitos com os desmandos políticos e a violência policial sangrenta.
Motivações diversas despertaram os estudantes universitários da Faculdade Nacional de Direito, no Campo de Santana, onde tive a honra de obter o meu diploma de bacharela em Ciências Jurídicas, no mesmo ano de 1968.
Sufocados pela repressão política, trazida pela “Gloriosa Revolução de 1964”, os estudantes se rebelaram, confrontando-se com policiais, controlados pelo regime militar vigente, gerando dezenas de feridos, centenas de presos, além de mortos. 
O regime militar havia assumido o poder com promessas de retomada do crescimento econômico e estabilidade institucional, mas, até 1968, nada havia sido cumprido. A miséria dominava os vários segmentos sociais, com uma inflação galopante, tornando a vida dos cidadãos cada dia mais difícil, empobrecida em todos os níveis, sobretudo, na alimentação, educação e saúde.
O quadro de 2013, embora em seus contornos se apresente mais favorável ao exercício das liberdades políticas, ainda reserva, infelizmente, os mesmos traços de 45 anos atrás, no tocante à violenta repressão policial e à prepotência dos governantes, que se colocam acima da soberana vontade popular, além do desemprego e inflação crescente.
No Brasil, à época, os militares usaram a truculência para atemorizar os civis; também, no cenário internacional, em Paris, os estudantes montaram barricadas nas ruas e enfrentaram a polícia, somando-se a este cenário greves gerais, o que se deu em maio de 1968.
Hoje, a turbulência no cenário internacional também é grande, notadamente, na Turquia e no Egito, onde os cidadãos se manifestam reiteradamente pela liberdade de expressão, sobretudo, pela liberdade de escolha dos governantes e no combate à corrupção.
Quando em 1969, no mês de fevereiro, deveria se dar a formatura dos acadêmicos da Faculdade Nacional de Direito, no Teatro Municipal, na avenida Rio Branco, os formandos e seus convidados foram impedidos de comemorarem a conclusão do curso, porque a cavalaria se encontrava às portas do teatro, para impedir que o paraninfo escolhido, Juscelino Kubitschek de Oliveira, trouxesse a tão esperada mensagem aos futuros profissionais de Direito.
Turbulência, repressão às liberdades individuais e coletivas são marcas de um período de exceção que esperamos não retornarem NUNCA MAIS!



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