domingo, 17 de julho de 2016

PERNAS CURTAS



Maria da Glória Colucci[1]


É impressionante o que a pessoa autointitulada “a mais honesta do Brasil” tem feito para manipular a opinião pública do País; aproveitando-se do vazio político instalado em Brasília pelo fantasma do impeachement.

            No mundo das reviravoltas palacianas os atores políticos envolvidos mudam de cenário e de ideias com a mesma velocidade e fúria dos tornados, movimento das ondas do mar ou os alagamentos que assolam as capitais brasileiras... Abandonada e desprotegida por falta de planejamento e investimentos públicos, a população desfalece face à inércia governamental.

            Políticos que deveriam ser vistos pelos cidadãos, sobretudo os mais humildes, como espécies de âncoras em um tormentoso mercado de desemprego, oscilação do dólar, aumento da inflação, greves, flagelo no acesso à saúde e educação, mentem debochadamente para livrarem a própria pele! Quanta humilhação e vergonha infligem!

            Por outro lado, a criatividade popular usando a mídia transforma em segundos qualquer fato, gesto ou afirmação em “viral”, acentuando o ridículo de situações que os políticos envolvidos poderiam, com um mínimo cuidado, ter evitado... Pelos políticos em si, mascarados em seus intentos perversos de manipulação, pouco ou nada se deve lamentar, mas quando se pensa nas gerações presentes e futuras e nos males que mentiras podem causar, sente-se vergonha, desmotivação e medo do futuro que se avizinha.

            Em recentes manifestações populares os grupos liderados pelos “plantonistas-gladiadores”, que lutam pela continuidade no poder, a virulência, a agressividade e os palavrões se apresentam como marcas distintivas dos métodos palacianos hoje adotados. Assim, nos estertores da morte, para se manterem na superfície, como afogados agarrados uns aos outros, invocam a Constituição (que nunca leram, se leram não entenderam) para, desesperadamente, justificarem suas torpes ações e seus sentimentos inconfessáveis.

            Neste contexto, sobressai “o homem mais honesto do país”, cujo linguajar é de tal modo vil que surpreende a todos, mesmo àqueles que o consideram um líder carismático. Não satisfeito, desqualifica ou tenta desqualificar todos os integrantes dos Poderes e das instituições do País, chamando-os de “acovardados”, porque não decidem de acordo com a sua vontade.

No entanto, como prevê conhecido provérbio popular “a mentira tem pernas curtas”, aliás, curtíssimas; porque a semeadura do mal não terá bom desfecho: é só uma questão de tempo. Não perdem por esperar! O “Justo Juiz” (Deus), que a tudo e a todos julga, não deixará que tantas e tantas mentiras passem como se verdades fossem...



[1] Advogada. Mestre em Direito Público pela UFPR. Especialista em Filosofia do Direito pela PUCPR. Professora titular de Teoria do Direito do UNICURITIBA. Professora Emérita do Centro Universitário Curitiba, conforme título conferido pela Instituição em 21/04/2010. Orientadora do Grupo de Pesquisas em Biodireito e Bioética – Jus Vitae, do UNICURITIBA, desde 2001. Professora adjunta IV, aposentada, da UFPR. Membro da Sociedade Brasileira de Bioética – Brasília. Membro do Colegiado do Movimento Nós Podemos Paraná (ONU, ODM). Membro do IAP – Instituto dos Advogados do Paraná. Premiações: Prêmio Augusto Montenegro (OAB, Pará, 1976-1º lugar); Prêmio Ministério da Educação e Cultura, 1977 – 3º lugar); Pergaminho de Ouro do Paraná (Jornal do Estado, 1997, 1º lugar). Troféu Carlos Zemek, 2016: Destaque Poético.

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