terça-feira, 23 de maio de 2017


AIDS: BRASIL COORDENA PESQUISA MUNDIAL (ODS 3)

 
Maria da Glória Colucci[1]

 1 INTRODUÇÃO

             O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/FIOCRUZ) vai coordenar “[...] o primeiro estudo mundial para avaliar a utilização de um novo tipo de anticorpo na prevenção do HIV”.[2]
            Conforme relatam seus pesquisadores, o estudo irá perdurar por dois anos, aproximadamente, contanto com a participação de voluntários das América do Norte e do Sul, e, também, da África Subsaariana.
            Trata-se de uma avançada pesquisa que “[...] consiste na infusão, de forma intravenosa, do anticorpo desenvolvido em laboratório VRCO1, que vem demonstrando a capacidade de combater cerca de 90% dos subtipos de HIV”, conforme informam pesquisadores da área.[3]
            Visa a louvável iniciativa a prevenção do HIV, pelo uso do novo tipo de anticorpo, de modo que os interessados poderão se candidatar como voluntários, desde que se enquadrem no perfil da pesquisa.[4]    
            No entanto, todo cuidado deve ser tomado tanto em relação a dados alarmistas; quanto ao excesso de otimismo, dissimulando a propagação do vírus. As notícias quando mal interpretadas podem vir a causar reações imprevisíveis na população já contaminada ou naqueles que estão em grupos de risco.
            Como efeitos adversos da discriminação e preconceitos, a sociedade pode negligenciar a atenção devida às pessoas que “vivem com AIDS”, não dispensando o necessário apoio, informação e suporte médico indispensáveis à qualidade de vida dos pacientes.
            O elevado grau de sofrimento físico e psicológico, que acompanha os portadores que vivem expostos às doenças do sistema imunológico, não é levado em conta na exata dimensão pelos programas oficiais. As medidas e políticas públicas, em sua grande parte, carecem do atendimento humanitário, ou mesmo especializado, para o acompanhamento das reais necessidades dos pacientes infectados, a começar pela desocupação, depressão, suicídio etc.
            Relata George Gouveia, coordenador do Grupo pela Vidda, no Rio de Janeiro, que as divulgações estatísticas quando mal esclarecidas ou direcionadas, podem gerar acomodação ou mesmo promover desleixo quanto às providências profiláticas necessárias.[5]
            A estabilização dos números sugere, por um lado, que as políticas públicas e os investimentos deram resultados satisfatórios; mas, por outro lado, podem vir a criar expectativas inexistentes e a ilusão de que os riscos de mortalidade já desapareceram.
            Dentre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ONU, Agenda 2030), se encontram o ODS 3 -“Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades”; bem como o ODS 5 – “Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”, corroborando para a prevenção e combate à propagação do vírus no mundo.[6]
 
2 A SÍNDROME
            A AIDS atinge todas as classes sociais e culturais e o maior vetor de sua propagação é o silêncio, aliado à desinformação. É uma doença que está se alastrando pelo mundo, atingindo pessoas de todas as idades, principalmente jovens de ambos os sexos. A imaturidade, associada à impetuosidade da juventude, contribuem para o aumento dos encontros sexuais fortuitos, como nos “Pancadões”, ampliando o risco de contaminação nesta importante fase da vida.[7]
            O vírus uma vez contraído deixa o corpo vulnerável a outras tantas enfermidades, destruindo órgãos vitais, como os pulmões, rins, cérebro ou pele, dentre outros. A forma de descobrir a doença é através do exame de sangue, feito gratuitamente e sigilosamente, em consulta ao médico em postos de saúde. Uma vez detectada a presença do vírus o doente iniciará o tratamento, ampliando sua qualidade de vida e prevenção do contágio entre parceiros e/ou familiares.
            A prevenção é a melhor forma de combater o HIV/AIDS, visto que evitar o contágio, com medidas simples de cuidados e higiene pessoal, é o que produz maiores resultados, como por exemplos:
 
     a)    não fazer sexo sem camisinha;
b)    não compartilhar a mesma seringa ao injetar drogas;
c)    não usar materiais cortantes sem a devida esterilização;
d)   não “esconder” que contraiu o vírus ao parceiro e praticar sexo sem proteção.[8]
 
Providências, igualmente importantes, devem ser tomadas pelos casais quando da ocorrência de gravidez, indo ao médico e observando as orientações durante a gestação e no parto, sempre acompanhados pelos serviços de saúde pública ou privada.
Os maiores inimigos do enfrentamento da AIDS ainda são a falta de diálogo, a discriminação, o preconceito e o abandono dos doentes à própria sorte.[9]
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
            Instituições, profissionais de saúde, pesquisadores, ativistas, professores e defensores da saúde pública e de pessoas infectadas pelo HIV/AIDS, devem se mobilizar em prol da defesa de maiores investimentos, informação, acolhimento e diálogo com os pacientes e seus familiares.
            A família ainda é o principal reduto de defesa das pessoas, jovens, adultos e idosos, já contaminados ou não pelo vírus, acolhendo e dando o suporte necessário no acompanhamento físico e psicológico dos pacientes.
            O grande número de pessoas ainda infectadas revela que a epidemia da AIDS no Brasil está sob controle, mas não desapareceu, permanecendo como ameaça latente. O fato da presença do vírus instalar-se no organismo sem sinais evidentes exteriores, por longo tempo, contribui para o aumento do contágio, sobretudo entre grupos de risco, a saber, heterossexuais ou não, que não observam a prevenção, com atividade sexual regular, atingindo mais homens do que mulheres, segundo dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, no Brasil, em 2015.[10]
            A educação em saúde, somada ao respeito pelos portadores do vírus, que vivem com AIDS, representam instrumentos eficazes ao controle da propagação da doença no País e no mundo, propiciando o exercício do direito à saúde, conforme prevê o art. 196, da Constituição.[11]


[1] Advogada. Mestre em Direito Público pela UFPR. Especialista em Filosofia do Direito pela PUCPR. Professora titular de Teoria do Direito do UNICURITIBA. Professora Emérita do Centro Universitário Curitiba, conforme título conferido pela Instituição em 21/04/2010. Orientadora do Grupo de Pesquisas em Biodireito e Bioética – Jus Vitae, do UNICURITIBA, desde 2001. Professora adjunta IV, aposentada, da UFPR. Membro da Sociedade Brasileira de Bioética – Brasília. Membro do Colegiado do Movimento Nós Podemos Paraná (ONU, ODM). Membro do IAP – Instituto dos Advogados do Paraná. Premiações: Prêmio Augusto Montenegro (OAB, Pará, 1976-1º lugar); Prêmio Ministério da Educação e Cultura, 1977 – 3º lugar); Pergaminho de Ouro do Paraná (Jornal do Estado, 1997, 1º lugar). Troféu Carlos Zemek, 2016: Destaque Poético.
[2] FIOCRUZ coordena pesquisa mundial sobre prevenção ao HIV. Radis – Comunicação e Saúde: n.174, mar/2017, p.6
[3] Id.
[4] Ib.
[5] Apud Adriano De Lavor. A epidemia não acabou. Radis Comunicação e Saúde: n. 123, dez. 2012, p.9-15; disponível em www.ensp.fiocruz.br/radis.
[6] ONU. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); disponível em www.nacoesunidas.org
[7] FIEP/SESI. Projeto SESI JOVEM VIDA – AIDS: Saiba como prevenir. Curitiba, em parceria com o Rotary Club, s/data, p.8.
[8] Id., p.6
[9] www.aids.gov.br
[10] BRASIL, Ministério da Saúde do. Boletim Epidemiológico em Aids, disponível em www.aids.gov.br
[11] BRASIL, Constituição da República Federativa do 1988; disponível em www.planalto.gov.br

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