AIDS: BRASIL COORDENA PESQUISA MUNDIAL
(ODS 3)
Maria da Glória
Colucci[1]
Conforme relatam seus pesquisadores,
o estudo irá perdurar por dois anos, aproximadamente, contanto com a
participação de voluntários das América do Norte e do Sul, e, também, da África
Subsaariana.
Trata-se de uma avançada pesquisa
que “[...] consiste na infusão, de forma intravenosa, do anticorpo desenvolvido
em laboratório VRCO1, que vem demonstrando a capacidade de combater cerca de
90% dos subtipos de HIV”, conforme informam pesquisadores da área.[3]
Visa a louvável iniciativa a
prevenção do HIV, pelo uso do novo tipo de anticorpo, de modo que os
interessados poderão se candidatar como voluntários, desde que se enquadrem no
perfil da pesquisa.[4]
No entanto, todo cuidado deve ser
tomado tanto em relação a dados alarmistas; quanto ao excesso de otimismo,
dissimulando a propagação do vírus. As notícias quando mal interpretadas podem
vir a causar reações imprevisíveis na população já contaminada ou naqueles que
estão em grupos de risco.
Como efeitos adversos da discriminação
e preconceitos, a sociedade pode negligenciar a atenção devida às pessoas que
“vivem com AIDS”, não dispensando o necessário apoio, informação e suporte
médico indispensáveis à qualidade de vida dos pacientes.
O elevado grau de sofrimento físico
e psicológico, que acompanha os portadores que vivem expostos às doenças do
sistema imunológico, não é levado em conta na exata dimensão pelos programas
oficiais. As medidas e políticas públicas, em sua grande parte, carecem do
atendimento humanitário, ou mesmo especializado, para o acompanhamento das
reais necessidades dos pacientes infectados, a começar pela desocupação,
depressão, suicídio etc.
Relata George Gouveia, coordenador
do Grupo pela Vidda, no Rio de Janeiro, que as divulgações estatísticas quando mal
esclarecidas ou direcionadas, podem gerar acomodação ou mesmo promover desleixo
quanto às providências profiláticas necessárias.[5]
A estabilização dos números sugere,
por um lado, que as políticas públicas e os investimentos deram resultados
satisfatórios; mas, por outro lado, podem vir a criar expectativas inexistentes
e a ilusão de que os riscos de mortalidade já desapareceram.
Dentre os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ONU, Agenda 2030), se encontram o ODS 3
-“Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as
idades”; bem como o ODS 5 – “Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas
as mulheres e meninas”, corroborando para a prevenção e combate à propagação do
vírus no mundo.[6]
2 A SÍNDROME
A AIDS atinge todas as classes
sociais e culturais e o maior vetor de sua propagação é o silêncio, aliado à
desinformação. É uma doença que está se alastrando pelo mundo, atingindo
pessoas de todas as idades, principalmente jovens de ambos os sexos. A
imaturidade, associada à impetuosidade da juventude, contribuem para o aumento
dos encontros sexuais fortuitos, como nos “Pancadões”, ampliando o risco de
contaminação nesta importante fase da vida.[7]
O vírus uma vez contraído deixa o
corpo vulnerável a outras tantas enfermidades, destruindo órgãos vitais, como os
pulmões, rins, cérebro ou pele, dentre outros. A forma de descobrir a doença é
através do exame de sangue, feito gratuitamente e sigilosamente, em consulta ao
médico em postos de saúde. Uma vez detectada a presença do vírus o doente
iniciará o tratamento, ampliando sua qualidade de vida e prevenção do contágio
entre parceiros e/ou familiares.
A prevenção é a melhor forma de
combater o HIV/AIDS, visto que evitar o contágio, com medidas simples de
cuidados e higiene pessoal, é o que produz maiores resultados, como por
exemplos:
a) não
fazer sexo sem camisinha;
b) não
compartilhar a mesma seringa ao injetar drogas;
c) não
usar materiais cortantes sem a devida esterilização;
d) não
“esconder” que contraiu o vírus ao parceiro e praticar sexo sem proteção.[8]
Providências,
igualmente importantes, devem ser tomadas pelos casais quando da ocorrência de
gravidez, indo ao médico e observando as orientações durante a gestação e no
parto, sempre acompanhados pelos serviços de saúde pública ou privada.
Os maiores inimigos
do enfrentamento da AIDS ainda são a falta de diálogo, a discriminação, o
preconceito e o abandono dos doentes à própria sorte.[9]
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Instituições, profissionais de
saúde, pesquisadores, ativistas, professores e defensores da saúde pública e de
pessoas infectadas pelo HIV/AIDS, devem se mobilizar em prol da defesa de
maiores investimentos, informação, acolhimento e diálogo com os pacientes e
seus familiares.
A família ainda é o principal reduto
de defesa das pessoas, jovens, adultos e idosos, já contaminados ou não pelo
vírus, acolhendo e dando o suporte necessário no acompanhamento físico e
psicológico dos pacientes.
O grande número de pessoas ainda
infectadas revela que a epidemia da AIDS no Brasil está sob controle, mas não
desapareceu, permanecendo como ameaça latente. O fato da presença do vírus
instalar-se no organismo sem sinais evidentes exteriores, por longo tempo,
contribui para o aumento do contágio, sobretudo entre grupos de risco, a saber,
heterossexuais ou não, que não observam a prevenção, com atividade sexual
regular, atingindo mais homens do que mulheres, segundo dados do Boletim Epidemiológico
do Ministério da Saúde, no Brasil, em 2015.[10]
A educação em saúde, somada ao
respeito pelos portadores do vírus, que vivem com AIDS, representam
instrumentos eficazes ao controle da propagação da doença no País e no mundo,
propiciando o exercício do direito à saúde, conforme prevê o art. 196, da
Constituição.[11]
[1] Advogada. Mestre em Direito Público pela UFPR.
Especialista em Filosofia do Direito pela PUCPR. Professora titular de Teoria
do Direito do UNICURITIBA. Professora Emérita do Centro Universitário Curitiba,
conforme título conferido pela Instituição em 21/04/2010. Orientadora do Grupo
de Pesquisas em Biodireito e Bioética – Jus Vitae, do UNICURITIBA, desde 2001.
Professora adjunta IV, aposentada, da UFPR. Membro da Sociedade Brasileira de
Bioética – Brasília. Membro do Colegiado do Movimento Nós Podemos Paraná (ONU,
ODM). Membro do IAP – Instituto dos Advogados do Paraná. Premiações: Prêmio
Augusto Montenegro (OAB, Pará, 1976-1º lugar); Prêmio Ministério da Educação e
Cultura, 1977 – 3º lugar); Pergaminho de Ouro do Paraná (Jornal do Estado,
1997, 1º lugar). Troféu Carlos Zemek, 2016: Destaque Poético.
[2] FIOCRUZ
coordena pesquisa mundial sobre prevenção ao HIV. Radis – Comunicação e Saúde:
n.174, mar/2017, p.6
[3] Id.
[4] Ib.
[5] Apud
Adriano De Lavor. A epidemia não acabou. Radis Comunicação e Saúde: n. 123,
dez. 2012, p.9-15; disponível em www.ensp.fiocruz.br/radis.
[6] ONU.
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); disponível em
www.nacoesunidas.org
[7] FIEP/SESI. Projeto SESI JOVEM VIDA –
AIDS: Saiba como prevenir. Curitiba, em parceria com o Rotary Club, s/data,
p.8.
[8] Id., p.6
[9] www.aids.gov.br
[10] BRASIL, Ministério da Saúde do.
Boletim Epidemiológico em Aids, disponível em www.aids.gov.br
[11] BRASIL,
Constituição da República Federativa do 1988; disponível em www.planalto.gov.br
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